Ushuaia, a Terra do Fim do Mundo

No extremo sul das Américas está um conjunto de ilhas separado do continente pelo Estreito de Magalhães e cercada pelo Oceano Atlântico e Oceano Pacífico. Isla Grande é a maior ilha deste arquipélago que contem ilhas menores e centena de ilhotas.

Na ilha, localizada a 1.000 km da Antártica e fazendo parte da Argentina, estão situadas as cidades de Tolhuin, Rio Grande e a capital, Ushuaia. A região é conhecida por “Terra do Fogoe  foi dividida entre a Argentina e o Chile em 1881.

Conta-se que os primeiros colonizadores ao chegarem àquela região encontraram fogos dispersos e colunas de fumaça das fogueiras permanentemente acesas pelos nativos yámanas para se protegerem do frio. Possivelmente foi daí a origem desse nome.

Ushuaia, o Fim do Mundo!

Localizada a 3.048 km de Buenos Aires, Ushuaia é o fim da linha. Isto é, onde acaba o continente e não há como ir adiante, a não ser que se pegue um barco e queira ir curtir o gelo da Antártica.

Capital da Província da Terra do Fogo, o nome da cidade provém dos idiomas indígenas yámana: USH (ao fundo) e WUAIA (baía). Os primeiros desbravadores chegaram a pé, ao que é hoje a Ilha Grande, há mais de 11 mil anos. Vieram do norte e segundo teorias, foram caçadores nômades de etnia asiática que atravessaram o Estreito de Bering.

Outros nômades vieram da Polinésia e, navegando, chegaram às ilhas do arquipélago ocidental da Patagônia. Tempos depois as lindas paisagens foram testemunhas da cobiça de aventureiros e dos criadores de carneiros ingleses que exterminaram a população indígena que aí vivia há séculos.

No século 19 uma missão de pastores anglicanos, dirigida por Thomas Bridges, instalou-se na zona do Canal de Beagle, formando o primeiro assentamento europeu no que compreende, atualmente, o território do departamento de Ushuaia e em 12 de outubro de 1884 a cidade foi fundada.

A partir da metade do século 20, Ushuaia passou a ser uma importante base naval para a Antártica. Guardiã do Canal de Beagle, que já foi disputado entre o Chile e a Argentina em finais da década de 70 (século 20), e de uma recortada costa marinha repleta de baias, é o centro urbano mais austral do planeta.

No entanto sua história é marcada pelo presídio que existiu entre 1896 e 1947, para onde eram levados presos políticos ou de alta periculosidade, pois o difícil acesso o tornava de segurança máxima. Foi utilizando a mão-de-obra dos presidiários que a cidade começou a se estruturar com construções, ruas e estradas.

Sua localização no extremo sul do continente americano, entre a extremidade da Cordilheira dos Andes e a passagem entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, permite a união, em uma só região, de montanhas, geleiras, mar e florestas. A paisagem é sempre fantástica. São picos de neves eternas, bosques floridos, glaciares, icebergs e ilhas habitadas por multidões de gaivotas, lobos-marinhos e pinguins. 

  • Mas, como chegar à Ilha?

O acesso mais comum é o aéreo, porém o excelente Porto de Ushuaia permite atracar embarcações de diversos portes. A via terrestre é a mais complicada tanto por necessitar cruzar o Estreito de Magalhães por Ferry, sujeitando-se ao clima e a marés, como pelos trâmites alfandegários Argentina-Chile e Chile-Argentina. Já que para chegar à Terra do Fogo passa-se obrigatoriamente pelo Chile.

A Rota Nacional Nº 3 que dá acesso à Ushuaia desde Buenos Aires, é interrompida na fronteira com o Chile, no Passo de Integracion Austral. A partir deste país, pela Rota 255, chega-se a Punta Delgada, junto ao Estreito de Magalhães, onde se toma o Ferry em Primeira Angostura.

Após 30 minutos de travessia, ruma-se, ainda pelo território chileno até o Passo Fronteiriço San Sebastian, não sem antes viajar pelos últimos 125 km em estrada de rípio. Após cruzar a fronteira, volta-se à RN 3 até o seu final, em Ushuaia.

  • Como cheguei em Ushuaia

…De São Paulo, em voo da Aerolineas Argentinas, chego 2 horas e 40 minutos após em Buenos Aires. Trajeto tranquilo, poucas pessoas à bordo e um almoço muito ruim: um macarrão com creme de queijo, refrigerante e para sobremesa, um doce que até agora não descobri do que era feito.

…A maioria dos voos internacionais aterrissa no Aeroporto de Ezeiza, que está a 35 km do centro. Precisava fazer o traslado para o Aeroparque Jorge Newberry, que opera voos domésticos e se encontra a 4 km do centro. A média de tempo do percurso é de 40 minutos, porém de ônibus pode chegar até 1 hora e 30 minutos ou mais, dependendo do trânsito.

…Com essa informação obtida no Box da Empresa Manuel Tienda Leon e por ter que esperar cerca de 30 minutos para a saída do próximo ônibus, percebi que o tempo seria insuficiente, apesar de ser feriado e provavelmente o trânsito estivesse tranquilo. Precisaria de umas duas horas entre um voo e outro.

…Seguindo as informações que obtive durante o período de planejamento, ao pegar as bagagens, passei direto pelas duas agências de câmbio ainda dentro da área de desembarque e segui para o setor de imigração. Passaporte carimbado, cheguei ao Banco de La Nacion, já próximo à saída do Aeroporto de Ezeiza e fiz o cambio de reais por pesos argentinos (1 Real=1,4 Pesos). Passagem de taxi na mão, dirijo-me ao Aeroparque.

…Aeroporto muito movimentado, às margens do Rio de La Plata. Tomo uma água e chega a hora do embarque. O voo foi num avião da Austral, velho estreito e lotado. Logo surge um problema, que pelo que entendi da fala do comandante, tratava-se de um simples problema elétrico (?). Uma hora depois, estamos seguindo viagem ao lado de um grupo de brasileiros (senhoras da boa idade, na sua maioria), em direção a primeira escala: Trelew.
…Ao nos aproximamos, deu-me a impressão que iríamos aterrissar numa pista de areia, e somente com o toque do avião no solo é que percebi que estava enganada. Bom, não era uma pista de areia, mas aquele aeroporto era bem diferente de todos os outros em que já havia aterrissado e não perdi a oportunidade de fotografá-lo, enquanto se dava o procedimento de desembarque e embarque de novos passageiros.  
 

Trelew – Teve origem em 1886 com a chegada de colonos gauleses, que deram inicio a ferrovia entre o vale do Rio Chubut e o Golfo Nuevo(hoje Puerto Madryn). Atualmente é um importante centro comercial e industrial, com o pólo têxtil de lã mais importante da Argentina.

Possui o Museu Paleontológico Egidio Feruglio, considerado o mais relevante da América, onde estão reconstituídas várias espécies de dinossauros, entre eles, o maior já encontrado na Patagônia.

… Apesar de ser uma boa oportunidade para se conhecer o passado remoto da Patagônia, Ushuaia estava a minha espera e cerca de 50 minutos após estávamos decolando rumo ao “Fim do Mundo”.
…A viagem foi tranquila. A primeira imagem que tive de Ushuaia foi a das montanhas, mas com pouca neve em seus cumes. Logo em seguida, a de uma enorme massa de água que cada vez mais se aproximava da janela do avião, dando-me a impressão que a asa iria tocá-la. O relógio indicava que já era noite em minha terra, mas ali raios solares ainda refletiam na água. Foi o momento de registrar a minha chegada ao “Fim do Mundo”!
…Ao aterrissarmos deu para perceber que a pista de pouso começava e terminava no mar, afinal estávamos numa península. O Aeroporto Internacional Malvinas Argentinas fica a 4 km ao sul de Ushuaia e naquele dia parecia que estava em reforma, tamanha era a desorganização. Mesmo assim não deixaram de fazer o controle do ingresso de alimentos, o que permite que a região se mantenha livre da febre aftosa. Portanto, não seria permitida a entrada de frutas, legumes, e seus derivados.

…Em virtude do clima frio, a vegetação predominante na região é a tundra, oferecendo uma paisagem única. No verão a amplitude solar é de mais ou menos 17 horas de luz e diminui no inverno até uma mínima de 8 horas. Portanto, tínhamos um dia amanhecendo por volta das 5 horas da manhã e um crepúsculo por volta das 22 horas.

…Em um taxi rapidamente nos aproximamos da cidade. O sol ainda se fazia presente e já passava das 21 horas! A minha direita o canal de Beagle.

…Aos poucos, começamos a subir… E subir. Cada vez mais nos afastávamos do centro e tinha a impressão de que ia ficar alojada no topo de uma montanha, tendo como única alternativa de deslocamento, o taxi, já que o motorista me informou que não passava ônibus por ali. E percorrer a pé toda aquela ladeira quando quisesse ir para o hostel, seria de tirar o fôlego…

…Mas ainda bem que troquei de hostel naquele dia mesmo, ficando bem mais perto do centro.

  • O que vi por lá

Parque Nacional Terra do Fogo

Localizado à beira do Canal de Beagle e a 11 km de Ushuaia, foi criado em 1960 com o objetivo de proteger a fauna e flora da região. Possui uma geografia que combina montanhas, bosques, rios, lagos, ilhas e mar.

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Navegando no Canal de Beagle

Esse estreito com mais de 240 km de comprimento liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. O nome é uma homenagem ao navio de Robert Fitz Roy que no século 19 levou à região o naturalista Charles Darwin.

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Os Lagos do “Fim do Mundo”

Os bonitos lagos da região da Terra do Fogo, o Lago Escondido e o Lago Fagnano, são uma das maiores atrações para quem visita Ushuaia. O primeiro envolto por montanhas é um lugar aprazível para caminhadas.

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“Cena” e Castores

Os castores constroem suas tocas, verdadeiros diques, utilizando a habilidade natural de represarem rios e riachos com troncos de árvores existentes em seu habitat.

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O Glaciar Martial

A alta montanha em Ushuaia está ao alcance dos pés. É possível conhecer regiões que em outros lugares estão reservadas quase exclusivamente a esportistas que desafiam grandes alturas.

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Uma viagem ao passado, em Ushuaia

A cidade tem alguns museus de interesse, porém o mais famoso é o Museu do Presídio, que está localizado no mesmo edifício onde um dia funcionou o antigo presídio de Ushuaia.

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Na extremidade daquela extensíssima língua de terra da América do Sul, que vai se estreitando à medida que se aproxima do Pólo, banhada por dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico, o continente parece ter-se esmiuçado em um vasto arquipélago que, separado da terra firme pelo Estreito de Magalhães, penetra nas frias e misteriosas solidões do Antártico, sob o sugestivo nome de Terra do Fogo” 
(Alberto De Agostini)

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