Três Capitais do Norte

Impressões e Roteiro

Em meados de 2010 foi a vez de percorrer o Norte Brasileiro. Assim, trilhei as terras tão caras do Ciclo da Borracha, e fui conhecer Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Belém (PA). A viagem durou duas semanas. De avião segui de Recife, conexão em Brasília, com destino a Porto Velho. Em dois dias visitei o centro da cidade, estive às margens do rio Madeira e conheci o palco onde se deu um dos episódios mais tristes da história brasileira: a Ferrovia MadeiraMamoré, ou o que restou dela.

Dias 1, 2 e 3 – Porto Velho

Em Rondônia, o Sotaque 

Tinha muito tempo de espera…

Era início de tarde e já me encontrava no aeroporto de Porto Velho aguardando o voo 1725 da Gol em uma das muitas escalas desde que saiu de Porto Alegre com destino a Manaus.

Seriam quase três horas até o momento de decolar, tempo que utilizei lendo “Amazônia de Euclides, Viagem de Volta a um Paraíso Perdido”, escrito por Daniel Piva, que relata a sua trajetória no trecho final do itinerário que Euclides da Cunha realizou em 1905, no rio Purus, com o objetivo de mapear a área de fronteiras com o Peru. Ali não se tratava de uma simples viagem de aventura, mas uma releitura comparativa de um mesmo lugar separado por um século.

Envolvida pelo clima de expedição, passei a relatar, escrevendo no próprio livro, sobre as impressões em mim deixadas durante essa viagem a Rondônia:

… O sotaque! Teria um próprio, o rondoniense? Creio que não. Pelo menos não fui capaz de perceber se há alguma peculiaridade no falar desse povo que me possibilitasse diferenciá-lo. O que escutei foi de uma diversidade ímpar, sotaques diversos, das mais diversas regiões do Brasil. Um reflexo do que sempre ocorreu ali: a busca de oportunidades de emprego atraindo brasileiros de outras regiões.

…Rondônia era para mim uma referência de Estado da Região Norte, onde pessoas aceitavam se submeter a certas privações, como também se expor a determinadas doenças, ainda negligenciadas sob o ponto de vista de políticas públicas efetivas, e migravam ou em busca da abundante oferta de trabalho com remuneração supostamente favorável, ou por conta de operações militares na fronteira do país.

Na verdade essa viagem estava me dando a oportunidade de conhecer a história e um pouco da cultura de uma região que continua pouco conhecida para a maioria dos brasileiros.

…Dessa forma, não só Rondônia, mas a  Amazônia passou a fazer parte do meu dia a dia. Qualquer assunto que a ela se relacionasse, despertava o meu interesse. E, aos poucos, a minha visão deturpada por conta de clichês, mitos e até conceitos negativos, começou a ruir.

As 3 Marias/Porto Velho

O avião chega…hora de partir! Os próximos dias serão para uma imersão naquela que é a maior região do Brasil. Rumei para Manaus, onde fiquei por mais três dias. Foi uma verdadeira imersão na história da Amazônia.

Como não me impressionar com a opulência que norteou a sociedade do início do século 20, onde se viveu  a Belle Époque, financiada pelos lucros da borracha?. Basta visitar o lindo Teatro Amazonas para ter uma ideia do que se deu nesse período.

Mas quem vai a Manaus também quer ver a Floresta e o Rio Amazonas. E foi essa a minha primeira visão da capital amazonense.

Dia 4 – Manaus

Museu Amazônico, Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião. Finalizei o dia com um passeio no Amazon Bus, ônibus turístico administrado pela Tucunaré Turismo e que tem seu ponto inicial ao lado do Teatro Amazonas. Na ocasião fizemos um percurso pelo Centro Histórico até Ponta Negra, onde houve uma parada para saborearmos um sorvete de frutas típicas. De la, retornamos para o ponto inicial.

Dia 5 

Palacete Provincial, Museu de Numismática e  mais um pouco do Centro Histórico.

Dia 6

Igreja de São Sebastião e Museu do Índio. Centro comercial e Shopping Manauara. Final de tarde no Porto Flutuante e Catedral de Manaus.

Dia 7

Foi a vez de seguir para Belém, em um voo da Gol com escala em  Santarém em plena madrugada. Quatro dias foi o tempo que permaneci na capital paraense, aproveitando para conhecer  o Centro Histórico: Núcleo Cultural Feliz Luzitânia e a Estação das Docas.

Estação das Docas

Dia 8

Basílica de Nazaré e Mangal das Garças

Dia 9

Museu Paraense Emílio Goeldi e  Praça da República / Teatro da Paz

Dia 10

Mercado Ver o Peso e passeio de barco na Baia do Guajará.

Dia 11

Retornei ao Nordeste, pelas terras paraenses. De Belém, em um ônibus, segui até Pinheiro, no Maranhão, onde trocamos de ônibus que nos levou, por cerca de 01:30h, até Cujupe. Dali, em um ferry boat, navegamos pela imensa Baia de São Marcos e, quase 2 horas após, chegamos no porto de São Luís.  Tempo total de viagem: 13 horas.

Como o Maranhão já faz parte do Nordeste, a continuação dessa viagem pode ser vista aqui.

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