Panamá City

Tem muito mais que um Canal, mas tudo começou por causa dele.

Há cerca de 3 milhões de anos existia um só oceano até que, emergindo das profundezas da Terra, uma estreita faixa de 80 km de terra o dividiu em dois, o Pacífico e o Atlântico (Mar do Caribe).

Formou também um extenso continente e mudou, definitivamente,  o clima,  a fauna e a flora do lugar.

Milhares de anos se passaram, o homem chegou a essa região e a área logo se tornou disputada por ser um lugar estratégico. Primeiro foram os espanhóis, que no século 16 utilizavam-na como entreposto de distribuição de suas mercadorias. Na época a estreita faixa era atravessada por animais de carga, que traziam os minérios das colônias do Pacífico para serem embarcados nos portos do Caribe, recheando os cofres da coroa espanhola, apesar dos obstáculos da floresta tropical. E assim foi por quase trezentos anos, até que houvesse a independência da Espanha, no século 19.

A despeito de ter se libertado da Espanha, o Panamá não existia como país independente, pois fazia parte da Colômbia. Nessa época as embarcações eram obrigadas a descer até o Estreito de Magalhães, no sul do Chile, para cruzar do Oceano Atlântico para o Oceano Pacífico e vice-versa, aumentando o gasto de tempo e dinheiro. Pensando nos lucros que poderiam ser gerados com a construção de um canal semelhante ao de Suez, a França iniciou os trabalhos em 1881, mas precisou interrompê-los por problemas técnicos e pela grande perda de mão de obra por conta das doenças tropicais.

De olho no controle do que viria a ser uma enorme fonte de divisas,  os EUA ajudaram ao Panamá a declarar sua independência da Colômbia (1903), em troca construiriam a ligação entre os oceanos e teriam total controle sobre ele, o que de fato ocorreu em 1914.

A consequência foi um tipo de colonização do pequeno país de 75 mil km², onde o lucrativo pedágio era todo enviado para os EUA por tempo indeterminado e apenas as áreas onde atuavam os norte-americanos eram beneficiadas em solo panamenho. Situação essa que resultaria em descontentamento, culminando com revoltas populares em 1964, o que obrigou a ser firmado um acordo de devolução da área do Canal e consequente controle da passagem através dele ao Panamá, para entrar em vigor 35 anos após.

Após 85 anos de domínio americano, o famoso canal passou a ser controlado pelo Panamá e o resultado foi o rápido crescimento da economia do país, com o enriquecimento de uma nação que tem mais da metade de sua população vivendo na capital, a Cidade do Panamá. E tudo isso fica evidente em uma rápida olhada, onde o moderno skyline reflete os tempos de abundância, gerada por projetos que atraíram empresas estrangeiras na área financeira e comercial levando aos pesados investimentos na área de serviços, incluindo o crescente “turismo de compras”, com os preços muito convidativos.

 

O Passado Permanece

Apesar dos ares de modernidade da capital panamenha, nem tudo é novo por lá. A cidade possui ruínas do século 16. Dos seus quase 500 anos de história resta o ponto onde a cidade foi fundada em 1519, época em que era usada como base para abastecer as colônias do Pacífico e levar para a Espanha as riquezas exploradas.
Panamá Viejo, como hoje é conhecida, sofreu com incêndios, terremotos e ação de piratas. Sendo que em meados do século 17 (1671), sucumbiu à investida de Henry Morgan, pirata que ao não conseguir saquear a cidade, explodiu os depósitos de pólvora, provocando o incêndio que destruiu completamente o local.

Torre da Catedral

Localizado a cerca de 5 km da região central, o conjunto de ruínas foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2003. Não há guias no local, portanto se for por conta própria é bom se informar um pouco antes.
Quando: de 3ª a domingos (das 8:30 às 16:30 horas)
Quanto: US 8,0 (2015)
Como chegar: Há várias opções para se chegar às ruínas.
  • Se for de taxi, combinar o preço e também para que o taxista espere, pois não é frequente encontrar taxi por lá. Eu como tinha pouco tempo, fechei com o taxista que trabalha no hotel onde me hospedei, para fazer todas as visitas em um pacote durante um dia e meio, além da viagem até o aeroporto.
  • Ônibus Hop on, Hop off. Mais detalhes nesse site aqui
  • Excursão com agência de turismo
  • Por conta própria, se estiver com carro

Com a total destruição da cidade, os sobreviventes se transferiram para outro local, conhecido como Casco Antigo, na ponta da Baía do Panamá, em uma península.

O Centro Histórico da capital panamenha, remanescente  daquela época colonial nos brinda com as ruas estreitas, praças e casarios centenários, que ao serem revitalizados há cerca de 10 anos, atraíram restaurantes, bares e cafés transformando em um dos pontos culturais e de lazer mais procurados. Além de ter ido declarado pela UNESCO, Patrimônio da Humanidade.

Em um aprazível passeio a pé, de preferência cedo da manhã ou final da tarde para escapar do sol inclemente, pode-se encantar com as casinhas coloridas, lojinhas de artesanato, galerias de arte, além das construções, entre elas a Catedral Metropolitana e outras ruínas de igrejas.
A Praça França construída em homenagem ao franceses pelo esforço na tentativa de construir o Canal e as diversas pessoas que morreram naquela época.
Ali se encontra a embaixada francesa e se pode observar a Cinta Costeira e, mais além, os navios que aguardam para atravessar o Canal do Panamá.

 

De volta ao presente

Ponte das Américas

Para desfrutar de uma vista privilegiada da cidade, nada melhor do que subir o Cerro Ancon. Uma elevação que está a 199 metros acima do nível do mar e que esteve sob a jurisdição dos EUA, enquanto tiveram o controle do Canal.
Por conta disso é pouco urbanizada e as poucas casas que existem foram construídas pelos norte americanos, o que permitiu uma área de bosque dentro da cidade e um viveiro para algumas espécies selvagens de pequeno porte.
É lá que se encontra uma enorme bandeira do Panamá, fincada desde 1977, após ser assinado o Tratado Torrijos-Carter, como forma de afirmar que a soberania estava voltando ao país.
Outro passeio agradável é  percorrer o  Amador Causeway (Calzada Amador), uma estrada de 7 km que foi construída com um aterro feito utilizando o que era tirado das escavações na construção do Canal. O objetivo era ligar as pequenas ilhas de Naos, Perico e Flamenco, além de servir de “quebra ondas”, diminuindo seus efeitos no tráfego dos navios.
As ilhas foram usadas como local de quarentena e base estratégica dos EUA na época da Segunda Guerra. Hoje, depois de vitalizada é um ótimo ponto de lazer, onde se pode observar o Oceano Pacífico e os altos e modernos edifícios da cidade, na linha do horizonte.
Enquanto observávamos a paisagem, um animalzinho passeava pelas pedras. Segundo o taxista/guia com quem fiz o tour na Cidade do Panamá, o pequeno é especialista em recolher o lixo deixado pelas pessoas nesse local.

 

 

O Canal do Panamá

Apesar da cidade ter muito o que ver, o meu objetivo maior em ter ficado por dois dias na capital do Panamá, quando retornava da viagem onde percorri a Rota Maia, foi, com certeza, apreciar por alguns minutos, essa gigantesca obra de engenharia, que vem resgatando o país do anonimato e dando-lhe ares de metrópole moderna desde 2000, quando assumiu a sua administração.

Para observar o movimento dos navios entrando no Canal, o melhor é se dirigir à eclusa de Miraflores, subir até a última plataforma do Centro de Visitantes e aguardar a passagem de um ou mais navios, que achei muito rápida, por sinal. Chegando cedo, no primeiro horário, o número de pessoas ainda não é muito grande.

Uns carrinhos que se locomovem em trilhos de cada lado do canal, ficam ligados por cabos ao navio, ajudando-o na travessia. E esse é o único momento onde o comandante abandona o seu posto, pois no Canal do Panamá é um prático especializado que guia o navio.

Comportas abertas, navio se preparando para entrar na eclusa.


Comportas fechadas do outro lado


Navio passando, com nível de água baixo

Comportas fechadas e nível de água subindo

Navio sendo elevado pela água



Fazendo a travessia 

Navio terminando a travessia da eclusa

As eclusas funcionam como elevadores aquáticos que permitem suspender a embarcação e ultrapassá-la pela elevação do terreno onde foi construído o Canal. A passagem pela  eclusa é rápida, não dura mais do que 10 minutos, no entanto para atravessar todo canal são cerca de 8 a 10 horas.

O Canal do Panamá não é apenas importante para aquele país, mas é também para o Mundo. Por ele passa cerca de 14% do comércio mundial, ligando os dois mais importantes oceanos, reduz em muitos dias o transporte das mercadorias de um lado a outro do planeta.

Um navio pode pagar até USD 400.000 de pedágio nessa travessia, valor que dependerá do seu tamanho e peso. São mais de 15 mil embarcações por ano cruzando o Canal, que funciona ininterruptamente. Atualmente estão em obras de ampliação.

 

 

É bom saber…

  • Pode-se ir  ao Canal do Panamá (Eclusa de Miraflores) de carro ou taxi (há estacionamento), em ônibus “hop on, hop off”ou em tour de agência de turismo.
  • O Canal tem 80 km de extensão com três conjuntos de eclusas Miraflores, Pedro Miguel e Gatun (sentido Pacífico-Atlântico). A de Miraflores é a que está no perímetro urbano da cidade (25 km do centro) e tem estrutura turística.
  • O ingresso completo é comprado na bilheteria do Centro de Visitantes e também dá direito a assistir a um vídeo que conta a história do canal, visitar o museu onde há objetos expostos e que foram usados na construção, além de espécies de peies locais e uma cabine de navio para quem quiser dar uma de comandante e simular a travessia, sem que bata nas paredes.
  • Há agências de turismos que têm na programação a navegação pelo Canal, veja aqui .

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